A região de Abrantes sempre teve terras muito ricas de olival e neste território a olivicultura tem séculos de história. Entre várias oliveiras ancestrais, localiza-se no concelho de Abrantes, em Cascalhos – Mouriscas, a mais antiga de Portugal, com 3350 anos. Esta oliveira milenar, para além de ser um maravilhoso exemplar, com tronco oco, um perímetro base de 11,2 metros e forma sui generis, está bem presente nas memórias das populações locais. Diz-se que os pescadores se juntavam ali, na oliveira velha, e era de lá que seguiam para os pesqueiros ou pesqueiras [estruturas à beira Tejo onde se pescava]. O primeiro a chegar ao rio procurava ficar com a pesqueira do Mouchão, que era a melhor de todas. Por isso ficou a designação de «Oliveira do Mouchão».
Mais de 3 milénios fizeram desta oliveira testemunha silenciosa de Fenícios aventureiros, de Celtiberos e de Romanos que se deliciaram com o seu azeite. À sua sombra, cristãos e muçulmanos selaram acordos. O vento que lhe assobiou nos ramos escutou a bravura de mourisquenses que combateram franceses invasores.